Por uma investigação completa e pública sobre o golpe de 6 de janeiro de Trump!

12 Janeiro 2021

Publicado originalmente em 8 de janeiro de 2021

Mesmo antes da poeira dos eventos de 6 de janeiro assentar, enquanto buracos de bala e janelas e portas quebradas são visíveis em todo o Capitólio dos EUA, o establishment político americano está trabalhando para encobrir a responsabilidade política da tentativa fascista de golpe contra o Congresso.

Não se tratou de um evento isolado ou acidental no qual os manifestantes de direita agiram espontaneamente. A invasão do Congresso foi uma conspiração dirigida a partir de cima. Foi preparada com muitas semanas de antecedência por autoridades do alto escalão do aparato do Estado, da polícia e dos militares.

O Partido Socialista pela Igualdade exige uma investigação criminal contra a administração Trump e todos aqueles que ajudaram e foram cúmplices deste golpe fascista. Os conspiradores ainda estão em liberdade, planejando seus próximos passos. Trump permanecerá na presidência até 20 de janeiro, e o perigo não passou!

Durante a crise do Watergate, as audiências no Senado, amplamente veiculadas e acompanhadas avidamente pela televisão, foram o meio para trazer à tona a verdade da conspiração do Presidente Richard Nixon contra a democracia e levaram, em última instância, à sua destituição forçada do cargo. Watergate começou com a invasão por uma gangue de ex-agentes da inteligência, ordenada por Nixon para assaltar a sede do Comitê Nacional Democrata.

Se uma “invasão de terceira categoria”, como Nixon a chamou, e seu encobrimento mereceu meses de audiências televisionadas expondo a criminalidade presidencial, quanto mais necessário é realizar uma investigação aberta, pública, televisionada e ao vivo sobre todos os aspectos dos eventos de 6 de janeiro de 2021, a primeira tentativa de um presidente de derrubar o governo americano e estabelecer uma ditadura.

É óbvio e inegável que Trump desempenhou o papel de instigador principal do ataque violento, convocando uma manifestação de milhares de apoiadores em frente à Casa Branca e orientando-os a marchar sobre o Capitólio. “Será SELVAGEM”, Trump tinha tuitado antes, chamando mais tarde a multidão fascista de “pessoas especiais”.

Os cúmplices diretos de Trump incluem o senador do Missouri Joshua Hawley e o senador do Texas Ted Cruz. Depois deles estão os senadores que se juntaram a Hawley e Cruz opondo-se à confirmação da vitória eleitoral de Biden e os mais de 100 republicanos que fizeram o mesmo na Câmara dos Deputados.

Pelo menos seis deputados estaduais republicanos participaram das manifestações e tumultos de direita. O delegado da Virgínia Ocidental, Derrick Evans, postou um vídeo de si mesmo entrando no prédio, mas mais tarde o apagou.

Os planos para uma insurreição não eram segredo. A data de 6 de janeiro para a sessão conjunta é fixada por lei, e os planos para um ataque físico naquele dia foram amplamente divulgados em páginas das redes sociais de direita. O comício na Casa Branca e a passeata pela Avenida da Constituição foram cuidadosamente programados para que os bandidos fascistas chegassem durante a primeira hora da sessão conjunta do Congresso quando se realizava a contagem dos votos do Colégio Eleitoral. Os invasores passaram por “bloqueios” policiais sem a menor resistência, invadiram o Capitólio e forçaram o fim dos trabalhos.

Os eventos poderiam ter tomado um rumo muito mais sangrento; alguns dos invasores estavam armados, e alguns dos presos foram encontrados com amarras de plástico para algemar potenciais vítimas de sequestro ou reféns entre os senadores e congressistas.

Detalhes de quão perto a Câmara e o Senado chegaram do desastre foram revelados pelo Governador Republicano de Maryland Larry Hogan, um opositor veemente de Trump, que disse numa coletiva de imprensa na quinta-feira que havia falado ao Senado e à liderança da Câmara quando eles estavam reunidos em um porão do edifício do Capitólio:

“Na verdade, eu estava ao telefone com o líder [do Partido Democrata na Câmara Steny] Hoyer, que nos pedia para enviar a Guarda [Nacional]. Ele estava gritando do outro lado da sala para Schumer, e eles iam e vinham dizendo que nós temos a autorização e eu disse: ‘Estou dizendo que não temos a autorização.’”

Hogan explicou a Hoyer e Schumer que o Pentágono havia negado o pedido de Hogan de enviar sua Guarda Nacional estadual para Washington D.C. O chefe da guarda de Maryland “continuava tentando, e nós não temos autorização”, disse Hogan aos líderes do Congresso.

Duas horas depois, Hogan disse que recebeu uma chamada “do nada, não do Secretário de Defesa, não através do que seria um canal normal”, mas de Ryan McCarthy, o Secretário do Exército, que permitiu o pedido de envio. Informações separadas indicavam que os militares só concordaram em mobilizar a guarda após falar com o Vice Presidente Mike Pence, não com Trump, o suposto Comandante-em-chefe.

Os mais importantes republicanos ecoaram as mentiras de Trump de fraude eleitoral maciça e preenchimento de cédulas, que foram criadas como cobertura política para a invasão da Capital. As objeções encenadas aos votos do Colégio Eleitoral dos estados-chave foram projetadas para dar legitimidade para suprimir violentamente a certificação do Congresso sobre o resultado da eleição.

Além dos colaboradores diretos na tentativa de golpe, os principais líderes republicanos do Congresso, o Líder da Maioria do Senado Mitch McConnell e o Líder da Minoria da Câmara Kevin McCarthy, desempenharam um importante papel ao permitir a recusa sem precedentes de Trump em reconhecer o resultado da eleição, que ficou claro poucos dias após a votação de 3 de novembro, depois que a contagem das cédulas foi concluída. Eles garantiram a legitimidade de suas alegações de fraude eleitoral.

Além dos colaboradores diretos na tentativa de golpe, os principais líderes dos republicanos do Congresso, o Líder da Maioria do Senado Mitch McConnell e o Líder da Minoria da Câmara Kevin McCarthy, desempenharam um importante papel ao auxiliar a recusa sem precedentes de Trump em reconhecer o resultado da eleição, que ficou claro poucos dias após a votação de 3 de novembro, depois que a contagem das cédulas foi concluída. Eles garantiram a legitimidade de suas alegações de fraude eleitoral.

Outras questões são levantadas sobre a extensão do apoio ao golpe dentro de setores do aparato militar, de inteligência e do Estado.

Em primeiro lugar, a polícia do Capitólio permitiu claramente que as multidões fascistas invadissem o local, posaram para fotografias amigáveis com os insurreicionistas e removeram bloqueios para facilitar a entrada dos fascistas.

Em segundo lugar, como indicado pelas declarações do Governador Hogan, o Pentágono inicialmente recusou um pedido de envio de tropas da Guarda Nacional para o Capitólio. (No Distrito de Colúmbia, que é território federal e não estadual, essas tropas são comandadas diretamente pelo Secretário do Exército). Somente depois que a ex-agente da CIA e oficial do Pentágono Elissa Slotkin, hoje deputada democrata, entrou em contato por telefone celular com o General Mark Milley, presidente do Estado-Maior Conjunto, o Pentágono entrou em ação e enviou 1.100 soldados.

Em terceiro lugar, entre aqueles que invadiram o Capitólio estavam elementos dos Proud Boys, Oathkeepers e apoiadores da fascista teoria da conspiração QAnon. Esses grupos – a quem Trump ordenou que “recuassem e ficassem a postos” antes da eleição – têm representantes diretos no Congresso, como Marjorie Taylor Greene, a deputada recém-eleita da Geórgia, uma apoiadora da QAnon, e Lauren Boebert do Colorado, uma ativista dos “direitos das armas de fogo” que tentou portar armas de fogo no Capitólio.

Em sua coletiva de imprensa na quinta-feira, a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, cobrou “responsabilidade” dos republicanos no Congresso que promoveram as teorias conspiratórias que inspiraram o ataque, declarando que tinham “abdicado de seu juramento de posse” e que estavam “auxiliando o presidente”. A realidade é que acusações de conspiração para derrubar o governo poderiam e deveriam ser feitas contra a maioria dos membros republicanos do Congresso. Eles deveriam ser investigados, processados e expulsos.

Tanto Pelosi quanto Biden, em coletivas de imprensa separadas na quinta-feira, procuraram desviar a atenção do significado político mais amplo da tentativa de golpe, atribuindo-o exclusivamente ao papel pessoal de Trump de incitar a violência. Ambos os líderes democratas descreveram Trump como uma ferramenta do presidente russo Vladimir Putin, como se a ameaça à democracia americana viesse de Moscou e não de fascistas dentro dos EUA.

Trata-se de um esforço grosseiro para desviar a raiva popular para um inimigo externo, embora a Rússia não tenha nada a ver com os eventos de 6 de janeiro. Essa é a continuação da orientação do Partido Democrata desde que Trump tomou posse, que tem sido desviar toda a oposição à direita com base nas diferenças de política externa, particularmente em relação à Síria e à Rússia.

Os trabalhadores devem exigir audiências públicas e completas do Congresso transmitidas na televisão nacional para expor todos os aspectos da tentativa de golpe de Estado de Trump. Essas audiências devem começar imediatamente e devem incluir o interrogatório do futuro ex-presidente e de todos os seus principais auxiliares, bem como dos principais instigadores republicanos do golpe no Congresso.

Mas o Partido Democrata, tanto no Congresso quanto na próxima administração Biden, se opõe com firmeza a qualquer investigação séria e detalhada dos eventos de 6 de janeiro, que alertaria o povo americano dos perigos crescentes das conspirações fascistas nos Estados Unidos.

Essas conspirações estão em andamento. Elas têm como objetivo a repressão forçada da oposição da classe trabalhadora à desigualdade social e à política homicida de “imunidade de rebanho” da classe dominante. A defesa dos direitos democráticos nos Estados Unidos exige a mobilização da classe trabalhadora, politicamente organizada e armada com uma perspectiva socialista.

Declaração do Partido Socialista pela Igualdade